Com o objetivo de difundir o cultivo e o conhecimento sobre cactos e suculentas, criamos este espaço, que esperamos ser de interesse de todos os amantes destas plantas.
Esperamos receber criticas sobre os temas aqui desenvolvidos e a colaboração de outros interessados, visando o aprimoramento desse conhecimento.
Objetivamos também a troca de informações sobre o modo de ocorrência dessas plantas, visando preservar as espécies e seus habitats naturais.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Preservação das cactáceas

Echinopsis oxygona em escarpa de difícil acesso
       

      Os ecologistas são categóricos quando afirmam que nenhuma planta deve ser retirada do hábitat natural em que vivem. Isto seria possível se a raça humana não tivesse se espalhado por todos os recantos da terra. A população mundial, embora possa ficar estabilizada entre sete a dez bilhões de habitantes, continuará demandando alimentos e matérias primas para satisfazer seu consumo atual e o crescente aumento em função do progresso material.

         Em face desta situação é quase impossível evitar as principais causas responsáveis pela devastação dos habitats naturais. Destacam-se entre outras, a agricultura e pecuária extensivas, desmatamento, urbanização, mineração e construção de barragens e de obras de infra-estrutura. Em todo o mundo procura-se, através do estabelecimento de reservas ecológicas e de leis ambientais, minimizar este problema, visando à preservação de alguns habitats e de espécies ameaçadas de extinção.
Parodia crassigibba danificada por ação animal
      As cactáceas, como as demais representantes da flora, também estão sujeitas a estas causas da descaracterização de seus habitats e até mesmo ao perigo de desaparecimento de algumas de suas espécies na natureza.
        As espécies de cactos que habitam as florestas, principalmente as úmidas e semi-úmidas, estão sujeitas à ação dos desmatamentos.
      As cactáceas que se desenvolvem em regiões áridas e semi-áridas, de habitat terrestre ou rupícola, ou em savanas como no caso do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, estão mais ameaçadas pela implantação de cultivos e pela ação do pastoreio extensivo.
      O avanço da agricultura tem reduzido em muito as áreas de incidência de cactáceas. Esta ação só não tem provocado maiores danos porque muitas espécies se estabelecem em locais não adequados à implantação de cultivos, como por exemplo, extensos afloramentos rochosos e locais de difícil acesso, como topo de morros e escarpas de declive acentuado. Já no pastoreio extensivo até mesmo alguns destes locais são alcançados pelos animais, que pisoteiam os cactos de formas globulares e até mesmo os comem. O famoso escultor e cactófilo “Xico” Stockinger costumava ensinar que no Rio Grande do Sul e Uruguai as “tuninhas” deveriam ser procuradas debaixo das cercas ou em locais onde as ovelhas não podem alcançar.
Parodia ottonis danificado pela ação das queimadas 
      O fogo vem associado à ocupação humana, tanto na expansão das áreas urbanizadas como no desenvolvimento da agricultura e pastoreio. O incêndio nos campos ainda constitui uma prática danosa comum no sul do Brasil, embora ultimamente venha sendo coibido pela ação dos órgãos de preservação ambiental.
      No Nordeste do Brasil, em época de escassez de pastagens naturais, alguns fazendeiros têm por hábito queimar os espinhos dos “mandacarus”, “xique-xiques”, ”tunas” e de outras espécies de cactáceas com o objetivo de alimentar o gado. Essa prática poderia ser evitada pelo maior cultivo de palma forrageira (Opuntia fícus-indica) tal como já vem sendo praticada por muitos fazendeiros da região.


Colonia de Parodia ottonis parcialmente danificada pela ação do fogo

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Fotos tomadas nos morros que rodeiam a cidade de Porto Alegre, onde se pode perceber exemplares de cactos globulares (Parodia ottonis), com os espinhos e costelas queimados pelo fogo.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Classificação das cactáceas



    A classificação binomial dos seres vivos começou por volta da primeira metade do século dezoito. Os trabalhos pioneiros de Carl von Linné (Carolus Linnaeus – l707 – 1778) lançaram as bases da moderna Botânica Sistemática. Em sua obra Species Plantarum (1753) designou cada planta por um nome específico, o que constituiu a primeira fonte da nomenclatura das plantas superiores. Em seus estudos deu especial atenção à estrutura das flores, atribuindo grande valor na classificação das plantas.
      A classificação binomial consiste em dar dois nomes, latinos ou latinizados, que classifica cada planta. O primeiro nome se refere ao gênero e o segundo a espécie. Estes nomes costumam se referir às particularidades estruturais que apresentam certo grupo de plantas, como por exemplo, Mammillaria, que se refere às protuberâncias na forma de mamilo, existente no caule das espécies deste gênero. Utiliza-se também com freqüência o nome do local em que a planta foi descoberta ou o nome de alguma pessoa de renome, a qual se quis homenagear. O segundo nome é dado à espécie, que constitui junto ao primeiro a identificação mínima necessária para a classificação de cada ser vivo.
      Mesmo utilizando-se esta regra básica da nomenclatura binomial ocorre muitas vezes de uma mesma planta ser descrita com mais de um nome, dados por pesquisadores distintos. Por conta desse problema, foi instituída a regra da prioridade, que consiste em considerar como válido o nome mais antigo. Em função desta regra tornou-se necessário identificar o pesquisador e a data em que determinado nome foi empregado na descrição de um novo gênero ou espécie; por exemplo, Mammillaria haworth 1912. Neste caso, Haworth é o nome do investigador, que em 1912 utilizou o nome genérico Mammillaria, para designar um grupo de cactáceas, com características similares. No caso do nome empregado para designar a espécie, adota-se o mesmo procedimento, por exemplo, Mammillaria bocasana Poselg 1853, indica que o termo bocasana foi primeiro empregado por Poselger, em 1853.
      Na grafia dos nomes designativos dos gêneros e espécies, em trabalhos de cunho científico, costuma-se empregar a letra em itálico, o que não é o caso nestes relatos. A primeira letra do nome genérico deve ser em maiúscula e no nome da espécie em minúscula. Também, os nomes dos pesquisadores costumam ser abreviados. Na prática, em trabalhos não científicos, emprega-se somente o nome genérico e o específico, como no exemplo Mammillaria bocasana.
      O gênero pode ser subdividido em subgênero e em secção, sendo que a subdivisão em subgênero é pouco usual e a secção inclui espécies que têm algumas características distintivas dentro do mesmo gênero. Seria o caso de reunir em uma mesma secção as espécies do gênero Parodia (=Notocactus), antigamente incluídas em “Eriocactus”, que mostram afinidades entre si.
      A espécie pode também ser subdividida em subespécie, variedade, forma e cultivar ou clone. O termo cultivar deve ser empregado somente para uma planta única, quanto a sua carga genética; isto significa que uma vez reproduzida por semente, seus descendentes não serão mais idênticos e somente poderá manter sua individualidade por reprodução assexuada.
      As categorias superiores ao gênero, pela ordem ascendente, são: Subtribo, Tribo, Família, Ordem e Classe.
      A família das cactáceas está subdividida em três tribos, conforme a ordem de evolução filogenética: Pereskieae, Opuntieae e Cereeae. Esta última, com maior número de gêneros e espécies, está subdividida em oito subtribos:

Subtribo Cereanae – gêneros Cereus, Trichocereus, entre outros;

Subtribo Hylocereanae – gêneros Selenicereus, Hylocereus, entre outros;

Subtribo Echinocereanae – gêneros Echinocereus, Rebutia, entre outros;

Subtribo Echinocactanae - gêneros Astrophytum, Parodia, entre outros;

Subtribo Cactanae – gênero Melocactus;

Subtribo Coryphantanae – gêneros Coryphantha, Mammillaria, entre outros;

Subtribo Epíphyllanae – Epiphyllum, Zygocactus, entre outros;

Subtribo Rhipsalidanae – Rhipsalis, Hatiora, entre outros.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Reprodução por sementes. Semeadura


Diferentes espécies de cactos, em vaso coletivo; as plântulas com cotilédones são de espécies do gênero Opuntia.

   Todos os cactos produzem flores, frutos e sementes, embora algumas espécies demorem até dezenas de anos para virem a florir pela primeira vez; também nem todas as espécies produzem frutos comestíveis.
   As sementes são responsáveis pela reprodução sexuada das cactáceas. Na natureza a maioria das sementes, após a abertura dos frutos, cai junto ou próximo da planta mãe, vindo a germinar, formando grandes colônias com plantas de diferentes tamanhos. Em outras espécies, no entanto, as sementes são dispersas pelo vento, chuva, pássaros e insetos (formigas), o que facilita sua disseminação por grandes áreas.
   Em cultivo a produção de cactos é relativamente fácil a partir de sementes. Isto porque as sementes das cactáceas costumam germinar com facilidade e na maioria das espécies o desenvolvimento das plântulas costuma ser rápido; algumas espécies, como algumas do gênero Mammillaria, desenvolvem plantas capazes de florir em apenas dois anos após a semeadura.

Plântulas de cactos em vaso de plástico de várias espécies; nota-se a proliferação de líquens entre elas. 

   O primeiro cuidado que se deve ter ao iniciar a semeadura de cactos diz respeito às sementes. Estas, em algumas espécies têm validade de apenas algumas semanas, tornando-se inférteis com o tempo, como por exemplo, as do gênero Frailea. Cuidado especial deve ser dado às sementes provenientes de frutos carnosos. A polpa do fruto (mucilagem adocicada) deve ser retirada através de lavagem e após secagem, sob o risco de facilitar a proliferação de fungos no frasco de cultura.



Pote de plástico transparente com tampa para evitar a evaporação da umidade


   Quanto ao substrato, pode ser o mesmo utilizado no cultivo de plantas adultas, apenas de granulação mais fina, que se obtém retirando por peneiramento os fragmentos maiores. É aconselhável colocar uma pequena quantidade de fungicida no substrato e/ou esterilizá-lo para evitar o nascimento também de liquens e de outras espécies de plantas.
   Outro ponto importante diz respeito aos recipientes onde deverá ser feita a semeadura. Comumente se utilizam potes de plástico transparente, com tampa, também transparente, que impeça a evaporação. Não se dispondo de potes com tampas apropriadas, pode-se cobri-los com um pedaço de plástico transparente, fixado na borda por um elástico. Os potes devem ter vários furos de pequeno diâmetro no fundo, para escoar o excesso de água.


Pote de plástico transparente com tampa para evitar a evaporação da umidade

   Os potes após furados, são preenchidos com o substrato, antes preparado, até cerca de 2/3 de sua altura. Então são espalhadas as sementes na quantidade estimada de 3 a 5 por centímetro quadrado, não precisando cobri-las.
   Após a semeadura deve-se colocar o pote dentro de uma bacia com um pouco de água, para que esta encharque o substrato por capilaridade até o topo do substrato. Esta água utilizada pode conter uma pequena quantidade de adubo foliar. Depois de assim molhado o substrato, retira-se o pote da bacia e deixa-se escorrer o excesso de água. Depois de tampado, coloca-se o pote em um lugar da estufa que não pegue sol direto, ou até mesmo atrás de uma janela que disponha de boa luminosidade.

Plântulas de Opuntia ficus-indica e de Hylocereus undatus, com poucas semanas de idade.  

  Nestas condições de mini-estufa, quase sauna, as sementes costumam germinar em poucos dias, aparecendo os primeiros pontinhos verdes (geralmente bolinhas), que com o passar dos dias vão adquirindo o formato peculiar de sua espécie. Nas sementes germinadas de espécies do gênero Opuntia e de alguns outros gêneros, aparecem primeiro dois cotilédones; depois de alguns dias começa a se formar o caule definitivo, entre os dois cotilédones.
   A semeadura realizada através deste procedimento pode variar, conforme a experiência do cultivador. O importante é que proporcione condições de fácil germinação às sementes e ao mesmo tempo proteja as plântulas recém nascidas. Neste processo praticamente não será necessário molhar o substrato, devendo-se umedecê-lo, desta vez por pulverização, somente quando notar-se a ausência de condensação da água na parte inferior da tampa ou nas laterais do pote.


Plântulas de cactos em vaso de plástico de várias espécies; nota-se a proliferação de líquens entre elas.
 
   Dependendo da espécie, as plantas novas já terão condições de serem transplantadas a partir de poucos meses depois de germinadas; as plântulas de algumas outras espécies poderão demorar até mais de um ano. Geralmente com cerca de um centímetro de diâmetro ou em torno de uma polegada de comprimento, dependendo do tipo de caule, realiza-se o repique, que consiste em transplantar as pequenas plantas para vasos coletivos ou bandejas. E, quando a plantas adquirem um tamanho maior e adequado, faz-se novo transplante, desta vez para vaso individual.


Glossário



Acúleo – Protuberância pontiaguda desenvolvida na epiderme de vários órgãos das plantas, que se destaca facilmente. Diferem dos verdadeiros espinhos (como nos cactos), por não apresentarem vascularização.

Adventícia (raiz) – Raiz aérea que sai do caule ou de suas ramificações de uma determinada planta e que serve para se fixar a uma outra planta ou rocha.

Áfilo – Que não possui folhas, como a maioria das cactáceas. Algumas espécies têm o caule achatado, facilitando a fotossíntese. Ex: gênero Epiphyllum.

Albiflora – Diz-se de espécies que produzem flores predominantemente brancas.

Androceu – Parte masculina da flor na reprodução sexuada; cada unidade constitui um estame, que se divide em filete e antera.

Antera – Porção apical dos estames, onde os grãos de pólen são gerados.

Aréola – Estrutura saliente na região nodal dos cactos, onde deveria sair ramos e folhas; nesta estrutura costumam sair os espinhos (folhas reduzidas), gloquídeos e também flores. A aréola constitui uma característica peculiar das cactáceas.

Axila – Ângulo formado entre o pecíolo foliar e o ramo da planta, onde gemas são produzidas. Ex: gênero Pereskia.

Bixessuada ou hermafrodita – Diz-se da flor que contém estruturas sexuais femininas e masculinas, como nos cactos.

Cacto – Planta afila (ou com folhas reduzidas), com caules suculentos e fotossintéticos, portando aréolas comumente com espinhos e outros filamentos.

Cálice – Parte basal da estrutura da flor, de onde saem as sépalas; usualmente envolve o botão floral em desenvolvimento. Não é bem representativo nas cactáceas.



Cefálio – Estrutura apical de algumas cactáceas, que apresenta densa pilosidade, de onde costumam sair flores. Ex: gênero Melocactus

Cladódio - Caule capaz de realizar a fotossíntese, de plantas afilas, em clima mais árido. Contém mucilagens, que retém água. É comum nas cactáceas e euforbiáceas. Ex: gênero Cereus.

Cleistogâmica (fecundação) - A fecundação cleistogâmica ou auto-fecundação processa-se sem a abertura da flor, ou sem o concurso de agente polinizador.

Colunar – Caule que se apresenta cilíndrico e massivo como uma coluna. Ex: gênero Pilosocereus

Corola – Estrutura externa da flor, constituindo um atrativo para os polinizadores; é composta pelas pétalas. Estas, nas cactáceas, se apresentam geralmente em grande número, de até algumas poucas dezenas.

Cotilédone – Primeira ou primeiras duas ou mais folhas de um embrião, constituindo reservas de nutrientes para manutenção da pequena planta, em seu início de desenvolvimento; com o crescimento da planta os cotilédones murcham e caem. Diz-se que uma planta pertence ao grupo das dicotiledôneas quando apresenta dois cotilédones, como no caso das cactáceas, embora nesta família estes apêndices só apareçam na germinação de sementes de alguns gêneros. Exs Opuntia e Hylocereus.

Deiscente - Frutos que se abrem expontaneamente na maturação, como no caso de algumas espécies de cactos. Ex: Cereus hildmannianus. O contrário se denomina de indeiscente.

Endêmico/endemismo – Diz-se de uma planta de ocorrência restrita à determinada área ou região.

Epífita ou epifítica – Planta que cresce sobre outra, apenas como suporte, não parasitando a hospedeira. Alguns cactos são epífitos. Exs: Epiphyllum, Hatiora, Rhipsalis.

Espinho – Estrutura pontiaguda de origem foliar, fortemente endurecida, reduzindo a evapotranspiração, quase sempre presente nas cactáceas e em muitas euforbiáceas.

Estame – vide androceu

Estigma – Parte da estrutura feminina da flor, onde são depositados os grãos de pólen durante a fecundação.

Estilete – Filamento canicular que une o estigma ao ovário, da estrutura feminina da flor.

Estolão ou estolho – Rebento emitido geralmente abaixo da superfície, que após emitir raízes gera uma nova planta, ao desligar-se da planta mãe; é comum nas espécies do gênero Parodia (Notocactus), principalmente na Parodia ottonis.

Filete – vide androceu

Flor – Órgão de reprodução sexuada das plantas, cujos componentes constituem o principal critério para a classificação das espécies de cactos. Apresenta usualmente cálice, corola, androceu e gineceu, ainda que um destes verticilos possa faltar, ou estar modificado.

Fruto – O fruto forma-se pelo desenvolvimento do ovário após a fecundação da flor. Nas cactáceas varia de tamanho desde alguns milímetros até maiores de dez centímetros, apresentando comumente cores desde verde-amareladas até vermelhas. Quase todos são comestíveis.

Gineceu – Órgão da flor que desempenha o papel feminino na reprodução sexuada. Cada unidade do gineceu é denominada de carpelo, cujas peças podem estar livres ou fundidas, formando o pistilo.

Gloquídeo – Tipo especial de espinho (tricoma barbado) frequentemente encontrado em algumas espécies de cactos, geralmente do gênero Opuntia, onde o ápice de cada barba apresenta ganchos (fisgas); ocorre inclusive nos frutos. Deve-se ter cuidado em manusear essas plantas, pois esses espinhos penetram facilmente na pele e não costumam sair.

Hábitat – Do ponto de vista ecológico, representa as características do local e o modo de ocorrência de determinado ser vivo na natureza.

Ovário – Peça basal do pistilo, usualmente dilatada, na qual se desenvolvem os óvulos. Após a polinização transforma-se em fruto, que contém as sementes.

Pecíolo – Estrutura que faz a ligação da parte laminar da folha com o caule ou ramo.

Pétala – Peça floral que compõe a corola. Nos cactos as pétalas aparecem em grande número, geralmente têm cores vistosas e brilhantes, constituindo um apelo atrativo para os polinizadores.

Pistilo – Estrutura formada pela ligadura dos carpelos, representando o gineceu, composto de ovário, estilete e estigma.

Pivotante (raiz) – Raiz pivotante ou axial caracteriza-se por apresentar um eixo principal mais desenvolvido, de onde saem ramificações.

Pólen – Gameta masculino das plantas com sementes; geralmente apresenta-se na forma de pó fino.

Rupícola – Que desenvolve-se sobre rocha nua ou sobre bolsões de detritos acumulados.

Sépala – Peça do cálice floral.

Terrestre – Modo de desenvolvimento de vegetais em solo.

Tuberosa (raiz) – Raiz espessada rica em água e nutrientes.

Vermiculita – Mineral micáceo, que quando aquecido ao fogo aumenta muitas vezes de volume, tornando-se poroso e capaz de reter água em sua estrutura.

Xerofítica – Diz-se da planta ou vegetação, geralmente com espinhos, que habita regiões áridas, caso das cactáceas e euforbiáceas.



sexta-feira, 4 de maio de 2012

Habitats naturais






         A maioria das cactáceas desenvolve-se em habitat rupícola e/ou terrestre. Considera-se como rupícola uma planta que vegeta sobre substrato rochoso, no entanto, mesmo sobre as rochas costuma acumularem-se detritos arenosos e húmus, onde se desenvolve liquens e outros vegetais inferiores. É neste ”substrato” que vicejam as cactáceas ditas rupícolas e quase nunca diretamente sobre a rocha nua. Portanto, o limite entre habitat rupícola e terrestre não é bem definido.

        No habitat essencialmente terrestre o solo costuma ser mais desenvolvido, onde as raízes dos cactos se ramificam e espalham-se superficialmente. Praticamente todas as cactáceas encontradas sobre afloramentos rochosos desenvolvem-se também em solo, principalmente de constituição arenosa.

       Denomina-se de habitat epifítico quando as raízes da planta se fixam sobre a casca dos troncos e galhos das árvores. No entanto, a árvore hospedeira serve apenas como suporte, não sendo parasitada.

       Diz-se que a planta é trepadora quando emite raízes adventícias do talo e de suas ramificações, que aderem ao tronco das árvores, como também sobre a superfície das rochas.

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Distribuição geográfica


   


       A família das cactáceas é exclusiva das Américas, ocorrendo desde o Canadá, ao norte, até a região da Patagônia, no sul do continente, incidindo inclusive em algumas ilhas do Caribe. No entanto, a maior distribuição de gêneros e espécies de cactos dá-se no México. O sudoeste dos Estados Unidos, a borda oeste da Bolívia, Peru e Chile, o norte da Argentina, todo o Uruguai, o sul e o nordeste do Brasil, constituem outras regiões com ocorrência significativa destas plantas. Nestas regiões, encontram-se cactáceas desde o nível do mar, até altitudes em torno de 4.000 metros, com variação de temperaturas desde abaixo de zero grau até acima dos 40° C.

      Afora estas regiões citadas, ocorrem também diversos gêneros e espécies de cactos nas matas tropicais e semi-tropicais do continente americano, de hábito epifítico.

     Ocorre somente uma espécie de cactácea fora das Américas, a Rhipsalis baccifera, encontrada também na Nova Guiné, no Ceilão, em Madagascar e outros pontos da África tropical. Acredita-se que esta espécie epifítica, de fácil disseminação, possa ter sido levada nos navios, a partir do início das grandes navegações marítimas, no final do século 15. Além desta espécie, várias outras foram introduzidas pelo homem ao redor do mundo, principalmente na região do Mediterrâneo, na Austrália e no Sudeste da Ásia.

---------------------------------------------------------------------------------------------------------- Rhipsalis baccifera, fartamente encontrada em árvores sub-centenárias nas ruas e praças de Porto Alegre

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Flor, frutos e sementes. Reprodução



         A flor é a estrutura que contem os órgãos reprodutores das plantas superiores, assim como nos cactos. Nestes, a flor é hermafrodita, pois reúne os órgãos reprodutores masculinos e femininos na mesma estrutura.
        O conjunto de peças que constituem os órgãos femininos da flor é denominado de gineceu, ou pistilo. O pistilo, por sua vez, é constituído de três partes, o ovário na base, o estigma na extremidade superior e o estilete que une as duas peças anteriores. É no ovário que, após a fecundação da flor, começa a se desenvolver o fruto com as sementes.
        O conjunto dos órgãos masculinos é denominado de androceu, que individualmente são representados pelos estames. Cada estame é formado pelo estilete que suporta a antera, em sua extremidade superior; é na antera que ocorrem os grãos de pólen.
       Nas flores dos cactos os órgãos reprodutores masculinos e femininos são suportados por estruturas protetoras, sendo as pétalas (internas) e as sépalas (externas) as peças mais visíveis e de cores mais vistosas, que embelezam a flor e servem, também, como atrativo aos insetos; estes são responsáveis pela polinização das flores.
      A maioria das espécies de cactáceas floresce durante os meses de primavera e de verão; algumas poucas florescem no outono e quase nenhuma nos meses frios. As flores têm duração efêmera, variável de um a três dias; em algumas espécies abrem durante o dia, fecham à noite e voltam a abrir no dia seguinte. As espécies mais desejadas são aquelas capazes de florescer várias vezes ao ano ou que abrem em sucessão durante um longo período. Quase todas têm formas e colorido deslumbrantes; muitas são pequenas, mas outras há que são maiores que o corpo da planta.
      Algumas espécies de cactos exalam perfume que podem ser detectados pelo olfato humano, no entanto, acredita-se que a maioria emite aroma capaz de atrair os insetos. Geralmente as flores brancas, de espécies dos gêneros Selenicereus e Hylocereus, abrem somente à noite, com forte fragrância, atraindo mariposas, que as fertilizam. Estas espécies sul-americanas são denominadas popularmente de ”damas da noite”, sendo cultivadas em várias partes do mundo (Sudeste da Ásia, Mediterrâneo, Austrália) na produção de frutas exóticas.
        Quando os grãos de pólen entram em contato com o estigma, na mesma flor, ocorre auto-fecundação. Algumas espécies são cleistogâmicas; são capazes de se auto-fecundarem, mesmo sem a abertura da flor.
      Quando o pólen de uma planta é depositado no estigma de uma flor de outra planta, da mesma espécie, diz-se que ocorreu uma fecundação cruzada. Através da fecundação cruzada é possível obter o melhoramento das espécies.
      Quando os elementos masculinos e femininos são provenientes de plantas de espécies diferentes, a fecundação é chamada de hibridação. A hibridação, provocada pelo homem, visa obter plantas de flores mais resistentes e de flores mais vistosas, no entanto, descaracteriza as espécies naturais.
       A hibridação nos cactos, na natureza, não é comum, mas também não é rara. Este fato é devido ao isolamento de populações de diferentes espécies, caracterizando o endemismo, que é bastante freqüente entre os cactos.        
        O final do processo de fecundação resulta na formação de sementes, que são envoltas em uma polpa viscosa e geralmente adocicada, que constitui o fruto, quase sempre de cores amareladas ou avermelhadas.
        A germinação das sementes, geralmente junto da planta mãe, é responsável pelo aparecimento de plantas novas, com características hereditárias dos pais, perpetuando dessa maneira, na natureza, a continuidade e/ou evolução das espécies.
        Outra forma de reprodução das cactáceas consiste em destacar um pedaço de um exemplar adulto e fazê-lo enraizar em um meio de cultivo adequado. Neste caso, surgirá um novo exemplar idêntico à planta mãe. Este método, também chamado de estaquia, é mais adequado para plantas de hastes segmentadas ou arbóreas, como por exemplo, dos gêneros Cereus, Opuntia, Pereskia e muitos outros.
      Outro meio empregado pelo homem na propagação dos cactos consiste na enxertia. Algumas espécies, ou variedades, de difícil cultivo, são enxertadas sobre outras, visando principalmente à aceleração do crescimento. Este processo consiste em destacar um pedaço da planta que se deseja desenvolver e fixá-lo na haste da planta hospedeira ou “cavalo”.
      A reprodução por estaquia e enxertia é chamada de assexuada, resultando exemplares idênticos à planta mãe. Justifica-se quando se quer reproduzir uma determinada cultivar, rara ou extinta na natureza, que não se pode obter por semente.